Natal, Cidade Celofane
Vocês já ouviram falar da Cidade Celofane? Está em processo de constituição este que deve ser o mais novo conceito do urbanismo na contemporaneidade. Natal - o Trampolim da Vitória ou, como é mais conhecida nos dias atuais, a Cidade do Sol - introduz esse revolucionário conceito. Explico.
A Cidade Celofane, como parece que, brevemente, ficará conhecida a cidade de Natal, é constituída a partir de princípio bastante simples, mas nunca vislumbrado anteriormente, um verdadeiro "Ovo de Colombo''. Ao longo das principais vias da cidade e seus viadutos, foi instalada uma iluminação colorida (verde, azul, vermelha etc.), predominantemente verde. Num primeiro olhar, a nova iluminação deixa a todos perplexos. Seria a aproximação do Natal, da Semana Santa ou de alguma outra data festiva? Seria porque, em Natal, "todo dia é dia de Natal?", todos se perguntam. Após longa reflexão, concluí que se trata, mesmo, da aplicação deste novo conceito de cidade: a Cidade Celofane.
Olhem só as vantagens. Natal está sobre terreno arenoso, o que significa que fazer crescerem árvores frondosas é tarefa que requer certo cuidado e muito tempo. Após anos de desleixo por parte das autoridades responsáveis, a cidade deixa muito a desejar no que diz respeito à arborização das ruas. Para agravar o problema, num projeto de urbanização acerca do qual pouca gente ouviu falar - a reforma da avenida Bernardo Vieira -, uma centena de árvores adultas foi derrubada para dar espaço a um corredor de ônibus. Somem-se a estas, as tantas outras árvores prejudicadas com o estreitamento da avenida Salgado Filho/Hermes da Fonseca. A Cidade Celofane - predominantemente verde - corrige tudo isso: se Natal não pode ser verde de dia, que seja verde de noite!
Outro aspecto importante do desenvolvimento desse novo conceito (lembrem-se de registrar a patente!) é que a Cidade do Sol passa a ser também, à noite, como Paris, a "cidade da luz'', só que, por enquanto, verde. E agora sugiro: como a nova iluminação pode confundir o motorista , seria interessante que ela acompanhasse o sinal de trânsito, mudando sincronicamente do verde para o amarelo e para o vermelho. Já imaginaram o efeito? Ah! E, que tal, para combinar com a atividade humana que nelas se desenvolve predominantemente, fazer uma iluminação toda vermelha nas avenidas Roberto Freyre e Erivan França e em algumas ruas do Alagamar, área anexa ao Conjunto Alagamar, que já foi parte da Vila e hoje é pomposamente chamada de Alto de Ponta Negra? Très chic! Como em Amsterdam, teríamos em Natal um charmoso "bairro de luz vermelha''. Que moderno! Desculpem-me, com tanta luz, que pós-moderno!
Normalmente, mundo afora, em cidades de portes variados e diferentes configurações, iluminam-se os monumentos e também os principais edifícios públicos quando de interesse histórico ou artístico. Mais importante, as ruas são iluminadas. Em Natal, enquanto freqüentemente, nos noticiários, evidenciam-se as carências do sistema de provisão de serviços públicos, inclusive de iluminação pública em ruas e praças das áreas mais pobres da cidade, a Cidade Celofane cresce. Além das vantagens já discutidas que proporciona, importa sabermos: por quê? Acredito ter descoberto uma resposta plausível: a Cidade Celofane, com seu brilho e transparência embora ainda sem os laços de fita, tem um simbolismo. É como se fosse um embrulho, um presente, uma oferenda a todos os visitantes ilustres que lotam as dezenas de vôos charters que aterrissam em Natal. Eles merecem.
Márcio Moraes Valença
Especial para O Poti
O texto é de 2007, mas tá valendo!
Vocês já ouviram falar da Cidade Celofane? Está em processo de constituição este que deve ser o mais novo conceito do urbanismo na contemporaneidade. Natal - o Trampolim da Vitória ou, como é mais conhecida nos dias atuais, a Cidade do Sol - introduz esse revolucionário conceito. Explico.
A Cidade Celofane, como parece que, brevemente, ficará conhecida a cidade de Natal, é constituída a partir de princípio bastante simples, mas nunca vislumbrado anteriormente, um verdadeiro "Ovo de Colombo''. Ao longo das principais vias da cidade e seus viadutos, foi instalada uma iluminação colorida (verde, azul, vermelha etc.), predominantemente verde. Num primeiro olhar, a nova iluminação deixa a todos perplexos. Seria a aproximação do Natal, da Semana Santa ou de alguma outra data festiva? Seria porque, em Natal, "todo dia é dia de Natal?", todos se perguntam. Após longa reflexão, concluí que se trata, mesmo, da aplicação deste novo conceito de cidade: a Cidade Celofane.
Olhem só as vantagens. Natal está sobre terreno arenoso, o que significa que fazer crescerem árvores frondosas é tarefa que requer certo cuidado e muito tempo. Após anos de desleixo por parte das autoridades responsáveis, a cidade deixa muito a desejar no que diz respeito à arborização das ruas. Para agravar o problema, num projeto de urbanização acerca do qual pouca gente ouviu falar - a reforma da avenida Bernardo Vieira -, uma centena de árvores adultas foi derrubada para dar espaço a um corredor de ônibus. Somem-se a estas, as tantas outras árvores prejudicadas com o estreitamento da avenida Salgado Filho/Hermes da Fonseca. A Cidade Celofane - predominantemente verde - corrige tudo isso: se Natal não pode ser verde de dia, que seja verde de noite!
Outro aspecto importante do desenvolvimento desse novo conceito (lembrem-se de registrar a patente!) é que a Cidade do Sol passa a ser também, à noite, como Paris, a "cidade da luz'', só que, por enquanto, verde. E agora sugiro: como a nova iluminação pode confundir o motorista , seria interessante que ela acompanhasse o sinal de trânsito, mudando sincronicamente do verde para o amarelo e para o vermelho. Já imaginaram o efeito? Ah! E, que tal, para combinar com a atividade humana que nelas se desenvolve predominantemente, fazer uma iluminação toda vermelha nas avenidas Roberto Freyre e Erivan França e em algumas ruas do Alagamar, área anexa ao Conjunto Alagamar, que já foi parte da Vila e hoje é pomposamente chamada de Alto de Ponta Negra? Très chic! Como em Amsterdam, teríamos em Natal um charmoso "bairro de luz vermelha''. Que moderno! Desculpem-me, com tanta luz, que pós-moderno!
Normalmente, mundo afora, em cidades de portes variados e diferentes configurações, iluminam-se os monumentos e também os principais edifícios públicos quando de interesse histórico ou artístico. Mais importante, as ruas são iluminadas. Em Natal, enquanto freqüentemente, nos noticiários, evidenciam-se as carências do sistema de provisão de serviços públicos, inclusive de iluminação pública em ruas e praças das áreas mais pobres da cidade, a Cidade Celofane cresce. Além das vantagens já discutidas que proporciona, importa sabermos: por quê? Acredito ter descoberto uma resposta plausível: a Cidade Celofane, com seu brilho e transparência embora ainda sem os laços de fita, tem um simbolismo. É como se fosse um embrulho, um presente, uma oferenda a todos os visitantes ilustres que lotam as dezenas de vôos charters que aterrissam em Natal. Eles merecem.
Márcio Moraes Valença
Especial para O Poti
O texto é de 2007, mas tá valendo!
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